terça-feira, maio 12, 2009

Inteligência Corporal

O corpo humano é mais do que simplesmente uma outra máquina, indistinguível dos objetos artificiais do mundo. Ele é também o recipiente do senso do eu do indivíduo, seus sentimentos e aspirações mais pessoais, bem como a entidade à qual os outros respondem de uma maneira especial devido as suas qualidades singularmente humanas. Desde o princípio, a existência de um indivíduo como ser humano afeta a maneira como os outros o tratarão; e, muito cedo, o indivíduo vem a pensar em seu próprio corpo como especial.
A característica principal desta inteligência é sem dúvida alguma a capacidade que o indivíduo tem de usar seu próprio corpo de maneiras altamente diferenciadas e hábeis para propósitos expressivos assim como voltados para objetivos. Igualmente característica é a capacidade de trabalhar habilmente com objetos, tanto os que envolvem movimentos motores finos dos dedos e mãos quanto os que exploram movimentos motores grosseiros do corpo. Pessoas que desenvolvem algum esporte, como natação, dança entre outras modalidades, desenvolvem também um domínio aguçado sobre os movimentos de seus corpos, assim como artesões, jogadores de bola, atores, inventores e instrumentistas, que são capazes de manipular objetos com refinamento. 
O uso hábil do corpo foi importante na história da espécie durante milhares de anos, a evolução dos movimentos especializados do corpo é uma vantagem óbvia para as espécies, e nos seres humanos esta adaptação é ampliada através do uso de ferramentas. De todos os usos do corpo, nenhum atingiu ápices maiores ou foi mais variavelmente desenvolvido pelas culturas do que a dança. Podemos definir a dança como seqüências culturalmente padronizadas de movimentos corporais não verbais que são propositais, intencionalmente rítmicos e apresentam valor estético aos olhos daqueles para quem o dançarino esta se apresentando. 
Não conhecemos todos os usos aos quais a dança foi dirigida, mas as evidências antropológicas sugerem que pelo menos a dança possa refletir e validar a organização social. Ela pode servir como um veículo de expressão secular ou religiosa; como uma diversão social ou atividade recreativa; como um meio para dar vazão aos sentimentos, como uma afirmativa de valores estéticos ou de um valor estético em si; como um reflexo de um padrão de subsistência econômica ou como uma atividade econômica em si.
Dada a grande variedade de propósitos que a dança pode servir, é difícil generalizar sobre sua forma canônica. Às vezes, de fato, as características formais são menos importantes do que a ambientação adjacente ou conteúdo referencial explicito. Embora o principal treinamento na dança seja ouso disciplinado do corpo, outros pápeis que também exploram o conhecimento do corpo requerem habilidades adicionais ou diferentes. Na encenação, a capacidade de observar cuidadosamente e então recriar cenas em detalhes é um mérito. Esta capacidade mimética inicia muito cedo, talvez até mesmo nos primeiros dias ou semanas de vida; e por volta da idade dos dois anos, toda criança normal é capaz de observar cenas ou performances realizadas por outro indivíduo e recriar, numa ocasião subseqüente, pelo menos alguns dos pontos altos do espetáculo.

Ramos, Edu. Texto de

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